Gilson Volpato

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Sociedade justa exige ação

Categoria(s): Sociedade

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Comentário do Prof. Gilson Volpato 03/08/2015:

Esta reportagem de Fausto Macedo, de 02/08/15 (18:00 h), no Estado de São Paulo, com a proposta e entrevista do Procurador da República, Deltan Dallagnol, mostra uma luz no fundo do poço. Em 1992 eu morava em Israel e lá me disseram que a corrupção só foi controlada no país quando a probabilidade do ato corrupto não ser pego passou a ser muito baixa. Embora isso seja catalisado por um governo, isso não é questão de governo. Já disse em outras ocasiões que não devemos esperar que as soluções para os problemas brasileiros venham de governos, pois aqui eles são míopes, só enxergando um ou dois mandatos à frente. Portanto, concordo com a reportagem de que isso não seja uma questão de partido, mas de população e justiça.

Óbvio que um sistema jurídico competente tem tudo para fazer a coisa dar certo. Me espanto quando vejo advogados espertalhões servindo clientes claramente corruptos e ajudando-os a driblarem a justiça. Equivaleriam a médicos assassinos, que espero não haver! Em mais baixo escalão, chegam a financiar formação de tais bandidos da justiça. Mas a luz no fundo do poço vem de uma geração que parece mais bem formada. Já me alertaram de que temos no país grupo de pessoas de diversas áreas que foram formados pelas melhores universidades do mundo e que querem aplicar o que conheceram lá aqui em nosso país. Essa é a esperança de mudança. E esta reportagem mostra exatamente isso, na fala do Procurador da República, formado em Harvard. Quem aprende corretamente lutará por isso. O reltado de que alguns empresários apostarão nessa ideia é totalmente coerente. Fico imaginando o que Ricardo Semler falaria sobre o caso, pois para mim é um bom exemplo de empresário.

Acredito nessa força da universidade, mas por enquanto ainda dependemos dessa universidade do exterior. A universidade brasileira absorveu a corrupção e se manteve, de certa forma, passiva a ela. Começa a se mover lentamente e timidamente em relação à má conduta na pesquisa, mas tem muito mais que isso. Temos que rever a má conduta em várias instâncias, inclusive no ensino; por ex., aqueles que concedem o que for preciso para conseguirem homenagem na formatura dos alunos. Enfim, a universidade, com cabeças cada vez mais jovens e com exemplos de baixo nível de corrupção, é um dos pontos importantes para mexer na formação das próximas gerações. Infelizmente ainda somos dominados por propostas populistas, que não mais fazem do que manter o staus quo da corrupção. Como inerente na reportagem, justiça e polícia não podem ser pau mandado de governantes. O mesmo poderia ocorrer na universidade e outras instâncias do país. Eu, por ex., perdi cerca de 5 anos de aposentadoria (coisa que nunca será reposta) porque o processo (ganho) está travado no STJ, mesmo com súmula favorável do STF.

Vamos montar um país com a esperança de que vale a pena. Exerça o que aprendeu na teoria e mude a prática. Tentar ser complacente com a teoria para atender à prática e ser o bom calado da ideia de Martin Luther King expressa na reportagem: "... dizia que sua maior preocupação não era a maldade dos maus, mas o silêncio dos bons."