Gilson Volpato

Ciência & Comunicação

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Incompetência Favorece Oportunismo

Categoria(s): Publicação Científica

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Fonte: John Bohannon. Science 342: 60-65, 2013

Comentário do Prof. Gilson Volpato 21/10/2013:

Nesta matéria da revista Science se mostra casos de má conduta na cobrança de taxas para publicação em revistas Open Access. Basicamente, as revistas não avaliam direito os manuscritos, pois o interesse é que haja a publicação,  pois cada uma rende um valor considerável. Revestidos do nome de revistas científicas, esse esquema tira dinheiro daqueles que nelas publicam, sem dar o devido mérito científico. Atualmente é muito comum recebermos emails de revistas, sempre com nomes em inglês, nem sempre fácil identificar o país de origem (mas geralmente de países do terceiro mundo). A avaliação é rápida e os autores geralmente conseguem aprovação. Para a publicação, no entanto, têm que pagar taxas altas. Isso vira uma verdadeira rede de angariar dinheiro dos autores. Que haja esse tipo de salafrários, não me espanto. Mas tem um ponto subjacente a tudo isso que deve ser mencionado.

Enquanto essa notícia colocou em xeque a seriedade das revistas Open Access, vejo que tem mais coisa envolvida. Sobre o Open Access já se divulgou muito e esse sistema de corrupção não atesta, em minha opinião, contra o Open Access. Atesta sim contra a pobreza de espírito de cientistas que, desesperados pela baixa ciência que conseguem fazer, ficam à busca de qualquer lugar para suas publicações, desde que tenha um nome em inglês e "pareça" internacional.

Uma revista internacional é aquela que publica artigos de cientistas de vários países e é citada por cientistas de vários países. Frente ao ocorrido no artigo em estaque, parece que precisamos de mais informações antes de apostar numa revista. Acho que retornaremos ao famoso "tradicional". Lógico que com prejuízo de revistas sérias que estão apenas no início e, portanto, não são tradicionais. Neste ambiente acredito que revigore e mal compreendido Fator de Impacto. De um lado, o FI implica que a revista esteja no ISI, o que já é um atestado de certa seriedade, particularmente mais recentemente, em que esse Instituto tem procurado checar melhor as fontes de citações das revistas e punir atitudes que pareçam trapaça. Seria uma revigoração das bases de dados? Acredito que sim, pois nessa avalanche de publicações os artigos passaram à frente das revistas (o autor pega o artigo e a revista vem atrás). Mas parece que quando o crivo do peer review é falsificado, a seriedade da revista volta a importar.