Gilson Volpato

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CAPES descredencia 66 revistas excluídas do ISI-JCR

Categoria(s): Publicação Científica

Link da Notícia

Fonte: CAPES

Comentário do Prof. Gilson Volpato 20/07/2013:

Veja a lista das revistas suspensas (Link) em 2013 e os motivos (Link) gerais das suspensões.

A busca por índices de qualidade científica deve ser consequência e não meta. No caso do fator de impacto, na essência ele mede a eficiência do corpo editorial em escolher e publicar artigos que interessem à sua própria comunidade foco. Que há formas de burlar, lógico que há, mas isso não impede que o índice tenha seus méritos. O ISI, frente a várias críticas (todas já antigas e presentes nas publicações do FI), tem procurado melhorar o sistema de obtenção dos dados. É isso que se pode fazer. O FI é um índice e, como tal, é genuíno... se os dados de entrada no sistema são adulterados, nenhum índice sobrevive (veja os índices de alfabetização brasileira... o problema não é o índice, mas dados não confiáveis). No ano passado a CAPES (comitê de área) aprovou, em vitória apertada, a manutenção no QUALIS de, ao menos, uma revista congelado pelo ISI. Mas agora foi o Conselho Superior da CAPES que tomou a decisão de excluí-las. Acho a medida correta em relação a algumas revistas (outras não conheço e não posso opinar). Com isso, alguns programas de pós-graduação que hoje são nota 7 irão despencar, porque conseguiram tal nota 7 fundamentalmente com publicações em revistas que foram descredenciadas pelo JCR. Ou seja, não importa a ciência, mas o índice que dará nota na CAPES (i.e., a grana que virá). Aos poucos estamos entendendo o que tenho falado há mais de 20 anos em meus cursos de redação científica: não há milagre, ciência de qualidade é a grande meta... o resto é consequência!

As revistas nacionais, deste e de outros países, em contraposição às internacionais (requisitadas por cientistas de vários países), ficam com um sério problema pela frente. Como conseguir diminuir autocitações se não são conhecidas? Mas essa é exatamente a tarefa do corpo editorial e isso implicará em ganho científico. No passado, a CAPES estimulou criarmos revistas... acho que deveria nos ter estimulado a melhorar nossos artigos para publicarmos nos bons periódicos internacionais que já existiam. Com isso a ciência nacional teria crescido muito mais. Mas, o alento é que foram pouquíssimas revistas brasileiras que estiveram envolvidas nesse processo (4 das 66 congeladas pelo ISI; o que é muito pouco perto do número de revistas brasileiras no ISI-JCR). Vamos em frente, mas no caminho certo. Dedico minha vida para a tarefa de ensinar como fazer ciência de qualidade e como transformar isso em papers de bom nível... quem sabe agora comecem a levar mais a sério essa proposta!